quinta-feira, 30 de abril de 2009

Um exemplo prático de ação comunicacional com comunidades

Por Anne Elisabete Brito, Relações Públicas BA 1899

A organização é uma incubadora de cooperativas

EPADE é a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UNIFACS, em Salvador na Bahia, com objetivo de auxiliar empreendimentos associativos a gerarem trabalho e renda para seus associados localizados em comunidades marginalizadas. Faz isto através da criação de tecnologias sociais, atrelando a pesquisa à extensão tendo um papel fundamental na ligação da universidade com a população. O EPADE faz parte do movimento de Economia Solidária e segue seus princípios na busca de um mundo mais justo. EPADE, em parceria com a REDE e a CEC, assessora a CANORE, que vem exercendo a coleta responsável de lixo para a reciclagem, situada no bairro de Santa Cruz ajuda muitas pessoas que vivem em situação social precária promovendo o trabalho comunitário, que é além da inclusão social e fonte de renda, colaboração para a preservação do meio ambiente. Separando o que é reciclável do que não é, o trabalho da CANORE conscientiza a população da importância de evitar o acúmulo de lixo, separando o que pode ser reutilizado e transformando o que se considera perdido em material biodegradável e de utilidade social. Também assessora a COOPAED, Cooperativa Múltipla de Produção de Alimentos do Engenho Doce, através da criação de espaços para a atuação das cooperadas, assistência e divulgação. É uma cooperativa de alimentos situada no Engenho Velho da Federação. São cerca de treze mulheres reunidas, que buscam melhorar sua qualidade de vida, assim como da comunidade local, com a produção alimentícia. A COOPAED surgiu em 2004 com o apoio do EPADE. A COOPAED baseia as suas atividades na Economia Solidária, de base associativista e cooperativista, centrada no ser humano e não no capital, voltada para a produção e comercialização de bens e serviços, de modo autogerido.


O plano de Comunicação

EPADE estava cadastrada nas Atividades de Extensão Comunitárias, da Coordenação de Extensão Comunitária da UNIFACS e abriu espaço para a minha atuação de comunicação. Inúmeros problemas afastavam EPADE das comunidades, tanto do entorno, quanto as envolvidas com as cooperativas. A visibilidade do trabalho de incubação e campanhas era muito baixa e surgiu a necessidade de intervenção de um profissional de comunicação, para que a imagem e o trabalho fosse melhor assimilado pela sociedade. Foi feito um plano de comunicação, com pesquisa, diagnóstico, estratégias, ações e resultados, no qual foram elaborados instrumentos comunicacionais dirigidos às comunidades envolvidas, sensibilizando o povo das ações do EPADE e das cooperativas. O resultado foi o melhor possível; engajamento dos cidadãos baianos e participação das comunidades nos seus próprios projetos, realizados através desta incubadora. EPADE sempre estava se reunindo com a equipe de comunicação, acompanhando e fornecendo o feedback e direcionamento das ações de comunicação para a sua organização.


Resultados

Numa reunião com os líderes da cooperativa CANORE e COOPAED, e integrantes do EPADE, ouviu-se sobre problemas e expectativas presentes nas duas comunidades, para que a partir destes fatos, a equipe de Relações Públicas, pudesse criar um diagnóstico e propor ações pertinentes ao posicionamento frente os dados e objetivos das cooperativas. Tanto a logomarca do EPADE, quanto da CANORE foram criadas a partir do plano de comunicação, associando uma marca à organização, pelo público. A COOPAED obteve uma atualização na logomarca, para melhor ser inserida nos instrumentos. A marca constituiu o primeiro passo para uma política comunicacional. Os cooperados da CANORE, coordenados por Sr. Manoel, reclamaram de a estrutura interna ser muito pequena - um galpão desprotegido da chuva - também da falta de participação do povo, mais a falta de apoio da prefeitura municipal, só que um dos maiores problemas estava ligado à falta de informação da população produtora do lixo quanto ao material que poderia ser reciclado. A solução da comunicação foi de informar à comunidade sobre a oportunidade gerada pela cooperativa e à população, mais sobre o que pode e não pode ser reciclado. Cada casa ou apartamento estaria designado a receber uma cartilha para atender o cooperado CANORE que aparecesse para recolher o material. Exigir reconhecimento pela prefeitura local e apoio da Limpurb – empresa municipal que cuida do lixo bruto - também fora relatado. Os líderes da CANORE ficaram felizes com a ajuda advinda da comunicação, com a sugestão dos panfletos e cartilhas, também ganharam uma logomarca e crachás de identificação. A COOPAED é basicamente formada por mulheres. A representante enviada à reunião foi a Sara, compondo as fotos presentes no banner, folder e cartaz. Estes materiais foram criados com a sugestão da própria Sara e da equipe, para suprir o problema da baixa visibilidade e falta de informação das comunidades alvo, do bairro e da cidade em geral sobre a cooperativa de alimentos.

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