sábado, 2 de maio de 2009

Aqui não, istepô!

A pesca dita o tempo, o ir e vir, do Pântano do Sul.

O "istepô" é talvez a expressão mais
característica dos manezinhos.


Ficou curioso com o termo istepô? Pois é assim que os moradores mais antigos do Pântano do Sul, dizem àqueles que necessitam de um puxão de orelha, também aos que estão incomodando, mas também aos amigos, tudo isto depende do contexto, da entonação, da razão que o istepô deu. O Pântano do Sul é uma região do sul da ilha de Florianópolis que ainda guarda costumes de outros tempos, trazidos pelos açoreanos que chegaram ali e puseram-se a pescar e habitar aquela praia. Esse jeito muito próprio dos manezinhos (assim são chamados os moradores da ilha), principalmente do falar, rendeu até uma publicação tratando só dos termos locais, o "Dicionário da Ilha - Fala e Falares da Ilha de Santa Catarina (Editora Cobra Coralina), de autoria do Fernando Alexandre e da Andrea Ramos.

Recentemente, 22 de abril, o Pântano do Sul viu a tranqüilidade do lugar ser ameaçada, a comunidade foi convocada para uma audiência pública, o motivo era a apresentação de um Rima (Relatório de Impacto Ambiental) e da viabilidade da construção de um enorme condomínio de alto padrão, com estimativa de 6 mil novos moradores à sua conclusão e com todo o tipo de impacto que um grande empreendimento como este gera em seu entorno. Pra começar, 6 mil é justamente o número de atuais moradores, agora dá pra imaginar o que acontece num espaço quando dobra sua população. A discussão seguiu como qualquer um imaginaria, os empresários enumeraram as vantagens e deram prováveis soluções para esgoto e abastecimento, para as questões ambientais e logísticas. O que talvez não esperassem é que mais de 40 pessoas da comunidade de pescadores, aliados a moradores das mais diferentes profissões (biólogos, professores, engenheiros, etc), pedissem a fala e elencassem falhas, problemas do tal relatório e mostrassem a insatisfação com o projeto. Haverá desdobramentos, mas uma mensagem ficou clara: a comunidade não quer este tipo de desenvolvimento. Entendeu, ô istepô!

Por Tissiano da Silveira


Um comentário:

  1. Muito interessante sua matéria além da curiosidade do istepô denuncia e mostra a organização dos moradores da região contra o falso desenvolvimento. Carminha

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